O dia 12 de janeiro de 2010 foi um dia negro na história do nosso continente. O Haiti, o país mais excluído e empobrecido da vizinhança, foi abalado por um terremoto de 7,3 graus na escala Richter, com consequências estimadas em mais de 100.000 mortos e mais de 30% da população afetada. Segundo a ONU, é a catástrofe mais forte e mais complexa que a organização teve de enfrentar.
O desastre no Haiti tem proporções inimagináveis: as condições em que já viviam milhares de famílias que temos visto nas imagens que inundam as notícias são desumanas. Já eram assim antes. Hoje em dia, a dor, o medo e a desesperança que se instalaram nas ruas de Porto Príncipe superam qualquer idéia que se pode obter a distância.
Um Teto para meu País tinha entre seus objetivos para este ano as primeiras investidas formais no Haiti com a ideia de começar até o final do ano, sua implementação. O terremoto adiantou nossos planos, mas nós o fazemos convencidos que temos a possibilidade – e, portanto, a responsabilidade – de gerar ações imediatas que representam uma ajuda frente a esse desastre. As gerações de jovens dos 15 países onde estamos presentes têm definido o espírito da nossa instituição, caracterizada pela força, energia, vontade e disposição de reconhecer a dignidade de milhares de famílias que vivem permanentemente em uma emergência que não é aceitável prolongar. Esperamos que a lamentável situação que enfrentamos hoje seja uma grande sacudida para que todo o mundo trabalhe por uma solução definitiva para o Haiti, que não se conformem em voltar às condições que conhecíamos antes do terremoto.
Nos últimos dois anos nossa organização interveio em 4 episódios de desastres naturais, em 4 países distintos. Em cada um deles, aprendemos que, tão logo o desastre já não seja notícia, é muito difícil de passar de uma cooperação de primeira necessidade para uma verdadeira reconstrução da área afetada. É por isso que criamos um plano de ação que considera uma operação de emergência, pronta para ser lançada assim que sejam superadas a crise sanitária e de segurança e uma intervenção permanente que considera a abertura de um escritório de nossa instituição no território haitiano. Nossa missão é apoiar o Haiti através da construção de bairros com casas de emergência que considerem instalações sanitárias e acesso à água, proporcionando uma solução concreta para as famílias afetadas e que represente uma nova motivação para seguir adiante. Estes bairros se tornarão o primeiro passo para uma comunidade sustentável, com o profundo envolvimento dos jovens haitianos na reconstrução de seu próprio país.
2010 acaba de começar com o sonho de trazer o melhor da nossa história e nosso povo. Estamos convencidos de que podemos alcançar o desenvolvimento dos nossos países e terminar assim com a expressão mais visível da exclusão que nos prejudicou por tanto tempo: os seus assentamentos e favelas. Mas esses sonhos não se justificam nem se compreendem se não formos capazes de sofrer ou nos envolvermos com o lugar do nosso continente, onde a natureza tornou mais profundas as marcas da pobreza.
Através dessas linhas reitero o chamado a nos apoiar na reconstrução do Haiti através do nosso site, www.umtetoparameupais.org, e tornar-se parte deste esforço que está mobilizando os jovens em todo o continente.
Claudio Castro Salas
Diretor Social Um Teto para meu País
*Essa carta foi também publicada no Blog do Teto no Portal MTV: http://mtv.uol.com.br/perfil/um-teto-para-meu-pais