As perguntas que devem ser respondidas hoje pela sociedade brasileira são bem específicas e não permitem respostas evasivas.
O que fazer com as milhões de famílias em todo país que hoje, por uma vergonhosa imposição social e falta de outra opção, são obrigadas a morar em zonas de risco?
Para responder sinceramente a essa pergunta, deveríamos parar de propor como solução a remoção das famílias dessas zonas de risco. Quem habita aí não tem outra escolha e se retirado provavelmente buscará outro lugar com as mesmas características. O problema não apenas não é solucionado, como mantido ou até multiplicado, no mesmo local ou em outro.
Portanto, onde irão morar as famílias até ter uma solução definitiva , as da tragédia do Rio de Janeiro e outras milhões mais em todo Brasil?
As experiências vividas no ano passado com desastres naturais, como os terremotos no Haiti e no Chile e agora em dezembro as inundações na Colômbia, nos mostram que a parte mais terrível depois da tragédia é que não existem soluções definitivas em matéria de moradia a curto prazo. O Haiti vai demorar muito tempo para construir e reconstruir seu país, o Governo do Chile já anunciou que a reconstrução se estenderá no mínimo por mais dois anos e na Colômbia o governo está estudando soluções intermediárias até as moradias definitivas.
No Brasil, as famílias vítimas das enchentes do ano passado vivem hoje em péssimas condições. Em São Luís do Paraitinga e Jardim Pantanal centenas de famílias que no verão de 2010 foram afetadas pelas inundações, não tem onde morar nem uma solução concreta a curto prazo. O mesmo acontece com as famílias do Rio de Janeiro afetadas em abril, especialmente as do Morro do Bumba.
A Bolsa-Aluguel não resolve o problema, por ser uma quantia baixa e por conta do súbito aumento da demanda nas zonas afetadas. Os albergues só são adequados por alguns dias, pois logo se transformam em lugares insalubres, sem privacidade e onde muitas vezes ocorrem brigas, roubos e até abusos sexuais.
As perguntas são claras e não permitem respostas evasivas. Nós como sociedade temos a responsabilidade moral de dar uma resposta hoje.
Um Teto para meu País, ONG Latinoamericana atuante em 19 países, inclusive nos citados acima, realiza construções de casas emergenciais junto a famílias que vivem em situação de extrema pobreza. Famílias que vivem em favelas, em barracos feitos com restos de madeira, papelão, plástico etc que contam somente com um chão de terra batida, já vivem uma situação emergencial. Situação profundamente agravada por desastres naturais. No Chile, onde a ONG surgiu há 14 anos, foram construídas 24.000 moradias emergenciais após o último terremoto. No Haiti, a um ano do terremos e apesar das infinitas dificuldades, 826 famílias trabalharam com voluntários para construir suas casas.
A casa de emergência não é uma solução definitiva. É uma casa simples, barata, de 18 metros quadrados, feita de painéis pré-fabricados de madeira. É uma casa onde ninguém deveria morar, mas é uma solução concreta e efetiva para as famílias, na forma de uma primeira etapa, que aguardam por uma solução definitiva.
Ricardo Montero A.
Diretor Social
Um Teto para meu País – Brasil